PoemasPátria, latejo em ti, no teu lenho, por onde
Circulo! e sou perfume, e sombra, e sol, e orvalho!
E, em seiva, ao teu clamor a minha voz responde,
E subo do teu cerne ao céu de galho em galho!Sabe, eu não acho isso lá um grande poema. Acho esse um poema normal, como qualquer outro. Um poema que poderia ter sido escrito por qualquer um. Por mim, por você. Rima
orvalho com
galho e
onde com
responde.
Grandes rimas.
E se eu dissesse agora pra vocês que fui eu que escrevi isso?
Vocês duvidariam? Será que eu não teria capacidade de escrever isso? Será que eu não teria capacidade de rimar
onde com
responde? Certamente eu tenho. Assim como muitas pessoas tem.
Mas não fui eu que escrevi isso não.
Esse é um poema de
Olavo Bilac, que cai até em vestibular.
Agora me digam: o que há de especial nele?
É um poema comum, com rimas simples e algumas palavras difíceis.
A pergunta é:
O QUE faz dele um poema especial?
Eu realmente não tenho resposta para essa pergunta.
Acho que sou burro demais para entendê-lo.
Se eu tivesse escrito esse poema, certamente passaria desapercebido. Algumas pessoas até me ridicularizariam. Diriam:
que coisa HORRÍVEL! Olha essas rimas ridículas! Que merda, hein!Eu talvez mostrasse pra minha mãe e ela diria:
pô, bonito. E nada mais. Depois eu o jogaria fora.
O ponto em que eu quero chegar é que eu não vejo nada demais nesse poema. Exceto que foi escrito por Olavo Bilac. E se foi escrito por Olavo Bilac, TEM que ser um grande poema, não é mesmo?
não vejo nada nele que o faça ser um poema especial.
E você?
Vê?